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Primavera

Novembro, 2024

A primeira lua cheia da primavera, em Áries, finalmente trouxe a tão esperada chuva, nos lembrando que estamos na estação das flores e também de muita potência na natureza. Com a chuva, as sementes brotam e trazem novas formas de vida. O solo vai ficando mais fértil com as folhas secas se transformando em matéria orgânica pela sua decomposição impulsionada pelo tempo fresco e úmido.

Áries, o signo que abre o zodíaco, nos ensina a ter coragem, afinal quem está na comissão de frente precisa ser destemido, não é mesmo? Então, vamos usufruir da nossa coragem potencializada pela lua cheia em Áries?

Assim como no jardim vamos escolher as melhores sementes que brotam, as que têm mais vigor e formas mais bonitas, também na nossa vida podemos estar mais plenos e seguros com o que queremos cultivar nesse momento tão potente. Não vamos perder tempo com as ervas daninhas, e tudo que não nos traz boas colheitas, e sim focar na abundância da criação, com confiança e coragem para sermos quem somos, agindo em ressonância com o nosso ser.

Não precisamos ter pressa, porque na natureza tudo tem seu tempo certo, e entender esse ritmo, e também o nosso ritmo, nos traz sentimentos de união com o todo e de contentamento constante com a vida.

Quem já parou para perceber o movimento das águas de um rio sabe bem que quando surge um galho enorme no seu leito a melhor escolha é contornar esse galho e não se opor a ele, e este é mais um sábio ensinamento da natureza que podemos trazer para a nossa vida cotidiana.

Podemos ser mais flexíveis e pacientes como são as águas dos rios. Com flexibilidade as nossas águas internas também se beneficiam. Escolhendo fazer o movimento de seguir por outra rota quando surge um obstáculo, seguimos adiante o nosso trajeto sem perder o encanto nem desanimar, sendo pacientes.

Por falar em paciência, foi preciso muita durante este longo período de estiagem. Dava muita tristeza ver algumas plantas murchas, secas, doidas por uma boa ducha, mas precisei falar para elas que precisavam ser fortes e resilientes para passar por isso, torcendo que a chuva viesse logo... e ela veio, no seu momento!

Há muito tempo não experimentava esse sentimento de impotência. Com a água da casa racionada por causa da escassez, nem pensar em regar as plantas do jardim. Aí a gente percebe como tudo está mesmo conectado e como é necessário fazermos escolhas inteligentes e sustentáveis para sustentarmos a vida nesse planeta. De volta ao jardim, a maioria das escolhas de plantas que tenho feito são as que demandam pouca quantidade de regas, de preferência as que se contentam com as regas das águas das chuvas. E tenho gostado dos diferentes efeitos resultantes da mistura de espécies como babosas e outras plantas suculentas. Jardins de manutenção baixíssima e com formatos e cores variados!

A horta ainda está aguardando a sua vez. No local telado onde planto minha comida algumas mudas que estavam adormecidas na terra brotaram com a maravilhosa chuva da primavera. Falta pouco para o momento certo de novamente planejar o replantio, aproveitando as águas da chuva mais constantes e também toda a potência da estação. Esta sintonia com o fluxo da natureza faz toda a diferença. Os resultados vêm sem enormes esforços. O solitário pé de berinjela está aguardando ansiosamente por novas companhias; as mudinhas de espinafre que renasceram com essa primeira chuva no solo fértil do canteiro também torcem pela chegada dos novos temperos e hortaliças. E assim começa mais um ciclo, numa nova sinergia entre eu, a jardineira, e o meu jardim de plantas comestíveis.

Primavera é a minha estação preferida! E a sua, qual é?