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Arte oriental de cultivo de plantas

Revista Estações / Inverno 2021 - pagina(s) 32-34


Agosto/2021


Paisagismo


KOKE = musgo
DAMA = bola
KOKEDAMA = bola de musgo

Quando natureza e arte marcam um encontro, a relação rapidamente se transforma em amor; um amor que transborda, que encanta, que não tem limites. De um encontro como esse surgiu, no Japão, em 1603, uma forma de plantio oriunda dos bonsais: os kokedamas. A história conta que durante a Era Edo, soldados japoneses começaram a reutilizar panelas velhas encontradas nos quintais das casas e que haviam sido usadas como vasos para os bonsais. Ao puxar a planta de dentro das panelas, a terra e as raízes estavam compactados em formato de bola. Na época, isso se chamava Nearai. Quando um Nearai ficava por muito tempo num quintal, criava em torno de si musgos. Daí se originou o kokedamá, cuja tradução literal significa bola de musgo. Ao longo dos séculos, tornou-se uma pratica entre os japoneses cultivar plantas nessas bolas de musgos e terra de modo que possam ficar suspensas, criando um efeito visual inusitado e belo.

No Brasil, essa técnica de plantio de kokedamas, sem o acento agudo no final da palavra, ganhou vários adeptos. Ela consiste em criar uma bola compacta de substrato e musgos e, no meio dela, inserir a planta desejada. Em seguida, utilizam-se fios de barbante, sisal, lãs coloridas, cipós, arames ou náilon para estruturar a bola e pronto! Ela pode ser pendurada ou ficar sobre uma mesa de jantar, por exemplo.

A beleza dos arranjos kokedamas está na possibilidade de não sermos obrigados a utilizar um vaso para as plantas. O kokedama é o próprio vaso, natural como a planta que abriga. Segundo a paisagista Rita Sodré ( Studio da Mata), qualquer planta pode ser abraçada por um kokedama. O fundamental é saber que necessidades hídricas e de insolação ela requer. Para Rita, 'os kokedamas representam algo vivo; ele é atrativo e quebra a monotonia de um lugar'

Tudo começou com plantas pequenas, a exemplo dos bonsais. Aos poucos , a ousadia de colocar plantas maiores nessas bolas de terra e musgo foi encantando os apreciadores deste tipo de cultivo e, hoje em dia, até mesmo fruteiras como a jabuticabeira estão sendo trabalhadas na técnica kokedama. A paisagista Roberta Hang (Vida Verde) nos contou que tudo começou com a ideia de miniaturização, mas logo os kokedamas foram uma proporção maior. Segundo ela, trazer a natureza para perto de casa tem sido uma tendência e uma necessidade das pessoas, pois as plantas renovam o sentido de acolhimento dos ambientes internos também. Dentro ou fora de casa, os kokedamas têm um apelo visual diferenciado. Fazer os arranjos é como criar uma escultura viva. Para Rita e Roberta, o contato das mãos com a terra, o musgo, a água e a planta têm um efeito terapêutico. Ambas gostam da técnica a ponto de passarem horas plantando e percebendo os resultados escultóricos que criam. Para Roberta, eles trazem um ar contemporâneo para dentro de casa, diferente dos vasos convencionais de barro, por exemplo. Os kokedamas, dependendo do tamanho, podem ficar presos por fios de náilon, o que gera a sensação de que estão flutuando. Segundo Rita, kokedamas são uma forma de arte por sua delicadeza e pela integração que geram com quem planta. 'Você pode fazer dois kokedamas com plantas iguais: cada um vai ser diferente, são esculturas vivas.'

Pela simplicidade da técnica, qualquer tipo de planta pode se tornar um kokedama: cactos, suculentas, ervas aromáticas como o alecrim, roseiras, orquídeas; não há limites para a criação. E o que pode diferenciar cada uma fica por conta do que é utilizado para dar sustentação à bolinha. Se um cipó ou um sisal; se uma lã colorida ou um fio de náilon. Outro aspecto interessante são alguns suportes criados para abrigar os kokedamas. Rita tem criado peças em metais como mandalas, por exemplo, onde várias plantas ficam apoiadas e, desta forma, proporcionam um visual diferenciado.

Em outras situações, elas podem estar sobre um prato de cerâmica em uma mesa de refeições. O importante, segundo elas, é ter os cuidados que toda planta requer. Luz e água na medida certa. E quando elas começarem a crescer, poderá ser necessário refazer a bola, aumentando-a; mas todo o cuidado e manuseio são simples. O sistema de rega é por imersão e vai sendo feito de acordo com a necessidade de cada da planta. Já quando as raízes começarem a crescer muito, basta refazer o kokedama colocando uma nova camada de substrato Dessa interação entre você e essa atividade podem surgir belíssimos arranjos e, mais do que isso, uma relação mais próxima com a natureza e com todos os benefícios que ela pode proporcionar: leveza e tranquilidade. Cuidar de uma plantinha nos conecta com o sentido de observação. Roberta Hang e Rita Sodré recomendam essa experiência, pois todos os dias você vai poder olhar para seus kokedamas e lembrar-se da sensação de ter feito eles com suas próprias mãos!

Mãos na terra!

Você vai precisar de:

- Planta de sua preferência
- Substrato para plantas
- Húmus de minhoca
- Musgo seco ou vivo
- Fio de náilon
- Água

Em um recipiente, faça uma mistura de substrato (aquela terra especial) e húmus de minhoca em partes iguais. O húmus dará a liga necessária para formar a bola que é o 'corpo' do kokedama. Acrescente água aos poucos, até a mistura ficar com consistência de massa.

Retire cuidadosamente a planta do vaso e tire uma parte do seu torrão.

Pegue a mistura de substrato de húmus e cubra o torrão com ela, moldando uma bola, aos poucos. Aperte para firmar.

Cubra a bola com o musgo de sua preferência. Caso use o musgo seco, deixe-o de molho um tempinho antes. Envolva a bola com náilon e aproveite para fazer uma modelagem mais firme.

Agora, use o fio de sisal para fazer uma amarração bem criativa!

E assim nasce um kokedama pelas suas mãos!

Os musgos para esta finalidade são vendidos em lojas de plantas. Em geral, usas-se o fofão ou sphagnum.

Cuidar dos kokedamas é fácil! Basta mergulhar a bola em um recipiente com água e mantê-la lá por alguns segundos, até parar de saírem bolhas. Depois, é só deixar a água escorrer e colocá-la no lugar. Faça isso sempre que seu kokedama estiver leve.

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